segunda-feira, 30 de julho de 2018

Ansiolítico

Ansiolítico é o nome bonito para o medicamento que trata aqueles que trabalham demais, anseiam demais, se ocupam demais.
Antidepressivo é o nome feio para o medicamento que trata aqueles que não foram fortes o bastante, que não aguentaram.
Essa é a minha sensação quando falo essas duas palavrinhas nesse mundão.
Muitos preconceitos os envolve, num momento que o mundo bate recordes de vendas dos mesmos, para mim isso é tão contraditório, é como se falássemos de algo proibido....
Hummm... já sei... (insights durante a escrita, pq não começo a escrever com um texto pronto).
É porque nos mostra vulneráveis. Isso incomoda, poucas pessoas estão sinceramente dispostas a ouvir as fraquezas dos outros.
Nos habituamos a ouvir a história dos vencedores, daqueles que superaram tudo com resiliência, sem contestação, sem crise, sem ataque, sem surto.
Acredito que existem de fato pessoas resilientes, que aceitam com paciência e gratidão.
Mas a maioria surta, às vezes escondido no silêncio das palavras e no barulho da sua mente e emoções. Outros falam, demonstram, pedem ajuda, buscam alternativas.
Desde que comecei a tratar transtornos de ansiedade, tive vários momentos: negação, fraqueza, dúvida, medo (muito medo), dor, lágrimas (rios), encontros...
Encontros de todos os tipos, com medicamentos pra dormir, pra acordar, pra ficar tranquila, pra aguentar firme, pra controlar o medo.
Os medicamentos me ajudaram e hoje sei que eles ajudam num momento de crise, tratam os sintomas, mas não a causa. E por isso, decidi procurar a causa deles, decidi me ouvir e me encontrar.

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